
Imagem: Google Imagens.
Antes de começar a escrever, pensei muito sobre uma reportagem da revista Época dessa semana. Ela comentava sobre o comportamento das pessoas na Europa, com relação ao meio ambiente.
Lá (e, pelo visto, aqui também), é cool ser “verde”. E essa condição é o que dá status às pessoas – o fato da pessoa não ser “verde” é tão grave que ela passa a ser mal vista pelas outras. Após uma pesquisa realizada pela Norwich Union, no Reino Unido, foi constatado que 9 entre 10 britânicos mentem para passar a impressão de que levam uma vida ecologicamente correta.
Comecei a pensar, e pensar e pensar. Há alguns anos, quando se viam reportagens sobre desenvolvimento sustentável, não se ouvia falar nas tais sacolinhas ecológicas. Uma coisa que me lembro muito bem é de uma mulher que ensinava a usar caixas de papelão para levar as compras do mercado para casa – ela dizia que as pessoas podiam pedir caixas ao próprio mercado, pois raramente eles se recusariam a dar as caixas aos fregueses.
Pois bem. Isso me fez pensar ainda mais sobre a febre das sacolas ecológicas. Está na moda possuir uma e ir à feira/mercado/whatever carregando nossas simpáticas sacolinhas. Eu tenho uma há um tempinho, mas não é propriamente uma “eco-bag”, e sim uma sacola de lona linda com motivos indianos que eu uso para fins diversos (dentre eles, ir à praia).
Voltando ao ponto. Dia desses, fui ao mercado sem minha sacola e quase me senti mal. A funcionária tentava me empurrar uma sacola de lona horrorosa – uma eco-bag com o logo do mercado, que custava algo em torno de onze reais. Disse que comprando aquilo, eu estaria ajudando o meio ambiente, que a gente não deveria usar tantos sacos plásticos, e tal.
Pára tudo! Me senti mal pelos motivos que a faziam tentar me empurrar a tal sacola! A quantidade de compras que eu fiz mal caberia naquela mísera sacolinha, mas a atendente me garantiu que havia outras sacolas no estoque. Tive vontade de rir, e disse que, naquele dia, infelizmente, eu teria que poluir o meio ambiente.
Levei um olhar torto e devolvi outro mais torto ainda, complementado por uma bela encarada. Não sei se vocês estão entendendo. Naquele dia eu precisei usar sacos plásticos. Será que eu merecia ser tratada daquela forma? Eu não minto sobre o meio ambiente só para me sentir bem! Eu não preciso disso. Nenhum de nós precisa. Tem que ser uma coisa natural, decorrente da própria consciência.
Ajudar o meio ambiente é uma coisa necessária. Mas não podemos discriminar quem não o faz – o que a gente pode, e deve, é orientar, ensinar curiosidades, falar abertamente sobre o assunto, dar dicas e comentar, sim, como é difícil reverter um problema que se instalou justamente devido à sociedade de consumo em que vivemos.
Espero que este post seja entendido não como uma crítica à iniciativa de se diminuir o consumo de sacos plásticos, mas como uma crítica à sua “capitalização”, como uma forma atual de, mais uma vez, impor à sociedade o consumo de algo que não se faz tão necessário.
Porque se formos pensar bem na intenção das tais sacolas, todos nós temos, encostada no armário, uma boa sacola de lona que pode, muito bem, servir ao propósito de ir às compras, sem termos que fazer uma aquisição de uma nova sacola, só porque ela diz: “Eu não sou de plástico”.
Uma beijoca e boa reflexão,
Manú



